Graduando em Licenciatura - História, 3º Período
Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)
Unidade Divinópolis
Julho/2018
Os escandinavos eram povos muito dinâmicos, além de grandes caçadores, agricultores, pescadores, guerreiros e construtores e eram excepcionais comerciantes e de fácil adaptação aos ambientes propostos a eles. Ao norte em suas terras encontravam grandes dificuldades geográficas e climáticas provenientes da região onde se encontravam os países da Escandinávia, especialmente a Noruega, Suécia e Finlândia, são reconhecidos pelo frio rigoroso, já que ao norte desses países se encontra o chamado Círculo Polar Ártico, a área climática ligada ao Polo Norte. Logo, as temperaturas no inverno chegam a vários graus negativos, e mesmo na primavera e no verão, as temperaturas giram em torno dos 5º C a no máximo 20º C, com raras exceções de ter passado disso. Sendo a paisagem do interior de sua região formada por colinas, enseadas e montanhas, além de estradas, muitas vezes transformadas em rios de lama, os escandinavos voltaram-se mais para práticas marítimas.
Suas aldeias eram construídas na costa ou próxima a ela, onde os profundos fiordes (entradas de rio) ofereciam ancoradouros, sendo beneficiados por milhares de ilhas que ajudavam a quebrar o ímpeto das tempestades, abrindo assim a possibilidade para navegação em mar calmo. Além das dificuldades climáticas e do relevo, o solo de algumas regiões também não era tão bom para o plantio, pois era um solo muito grosso, argiloso e pedregoso em algumas regiões, o que dificultava o cultivo de várias espécies vegetais, além do próprio frio contribuir para isso. Porém, em outras regiões, o solo era mais macio e fértil, como no caso da Dinamarca e o sul da Noruega e da Suécia. Em tempos abundantes de produção agrícola, esses povos se alimentavam de trigo, cevada, frutas, couve e cebola, porém, em tempos de escassez eram limitados a liquens, algas e cascas de arvores.
Devido às circunstâncias impostas aos escandinavos, eles se tornaram muito dependentes dos barcos, tanto pra pesca quanto transporte e viagens. Porém, durante o árduo inverno, as atividades marítimas cessavam e os homens se dedicavam a construção e reparo de seus navios e à caça. Em suas caças eles buscavam martas, zibelinas, ursos, morsas, alces e renas com objetivo de aproveitar peles, marfim e a carne, sendo o couro para confeccionar vestuário, cobertas de cama e cordas ou no verão era trocado por outros artigos de seu interesse como vidro prata e seda das regiões sul. A abundância de animais como raposas, arminhos, martas, ursos, etc., proporcionou um produtivo e lucrativo mercado de peles, sendo uma das principais mercadorias que os nórdicos exportavam para o restante da Europa e parte do Oriente Médio. A comercialização foi uma das grandes qualidades dos povos escandinavos, sua frota marítima tecnológica, seu espírito aventureiro e sua ganância por enriquecimento foram grandes características que tornaram esses povos grandes comerciantes.
Por mais de 200 anos, os vikings fizeram uso das suas habilidades para a navegação e das suas embarcações de alto-mar para dominar as rotas do Norte da Europa. As matérias-primas locais disponíveis eram muitos solicitadas na Europa ocidental: peles, penas, madeira e alcatrão, minério de ferro, xisto para fazer pedras de amolar (para amolar lâminas), esteatite para os recipientes de cozinha, peixe salgado, peles de foca e marfim de morsa, e o âmbar encontrado nas costas do mar Báltico. Para Bizâncio e para leste exportavam-se peles, mel, cera, marfim e escravos (capturados em incursões no oeste). (CLARKE, 2006, p. 78).
À medida que crescia o comércio dos nórdicos, eles provavelmente foram tomados por um crescente gosto pela riqueza, assim como por sua inata e irresistível necessidade de aventura. Além destes fatores anteriormente citados, outro fator que influenciou diretamente na migração dos nórdicos é, que, no século VII e VIII houve um grande aumento populacional, este crescimento foi um dos motivos sugeridos por alguns historiadores para que os vikings cada vez mais se aventurassem por mar e terra a fim de realizarem suas expedições e conquistas, colonizando outros lugares vazios, conquistando territórios inimigos, criando rotas de comércio, como forma de apaziguar o efeito dessa superpopulação, já que, embora tenha crescido rapidamente, a produção de alimentos não acompanhou o crescimento demográfico. Logo, muitos começaram a morrer de fome, e a violência aumentou, devido ao fato de vilas, vilarejos e fazendas serem atacadas para serem saqueadas.
Outro fator que pode também ter contribuído está ligado ao aspecto cultural, pois muitos chefes escandinavos praticavam a poligamia e somente os primogênitos tinham direito a herança. Os numerosos filhos mais moços, deserdados, formaram uma grande e perigosa elite guerreira, esta elite utilizava qualquer prática para adquirir patrimônios e bens, exercendo tarefas como a pirataria, conquista de outros territórios e, até mesmo, a conquista de sua própria terra. Este grupo forneceu, provavelmente, a maioria dos lideres que chefiaram a invasão da Europa.
Grande parte da população escandinava era rural, e outra parte se dedicava ao comércio. Apenas uma parcela menor é que se dedicava a guerra, participando das invasões e da pirataria. Sua hierarquia era constituída assim; no topo da cadeia social estava Kunung, em analogia a outras sociedades essa figura pode ser comparada ao rei. Em seguida vem os jarl, que seriam os nobres daquela sociedade, no caso viking, os jarl em geral se comprometiam a prestar lealdade ao rei, assim como, atender sua convocação para participar de expedições militares ou de campanhas de guerra. Além desse dever bélico, o jarl se comprometia a pagar tributos ao rei. Logo em seguida nessa hierarquia eram os karls. No que diz respeito desta classe, estes representavam a camada de livres trabalhadores, pois não teriam recursos suficientes para serem inseridos no patamar dos ricos os quais formavam a nobreza e a aristocracia. Os karls constituíam a maior parte da sociedade escandinava. Apesar da imagem vendida dos vikings não eram pessoas voltadas apenas à arte da guerra ou a pirataria, na realidade, eles exerciam trabalhos bem diversos: eram agricultores, pastores, caçadores, pescadores, mercadores, construtores, ferreiros, artesãos, etc, essa parcela da população era constituída pelos karl. Estes tinham a obrigação de pagar tributos ao jarl.
A maioria dos vikings eram fazendeiros. Até os que fizeram incursões na Europa Ocidental, ou navegaram para oriente ou para ocidente como comerciantes, geralmente regressaram à sua pátria e à sua fazenda, trazendo com eles os seus despojos ou os seus ganhos. (CLARKE apud VILAR, 2012).
Haviam dois tipos de mercadores vikings: os mercadores ambulantes e os yeoman, os quais eram os mercadores que viviam nas cidades mercantis que poderiam ser ao também ao mesmo tempo artesãos e proprietários de terras. O primeiro era um profissional do comércio que não tinha outra opção nem lugar de negócio fixo. Vamos encontrá-lo nas últimas sagas a chegar à Islândia no Outono; tendo desaparelhado o seu barco, permanece ali com alguns lavradores, para partir novamente na Primavera seguinte, para os mercadores de Verão na Escandinávia. O segundo não era necessariamente menos hábil como marinheiro, mas era um homem para quem as viagens de comércio representavam apenas uma parte de sua atividade (ARBMAN apud VILAR, 2012).
E por ultimo, os Thrall, a população escrava. Esses realizavam vários tipos de ofícios, principalmente relacionados ao trabalho manual e o trabalho doméstico. Os escravos poderiam ser prisioneiros de guerra ou eram comprados no leste, pois os povos eslavos mantiveram um duradouro comércio de escravos pela Idade Média na Europa oriental, não sendo à toa que a palavra inglesa para escravo (slave) deriva do nome eslavo (slav).
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Estrutura da Sociedade Nórdica
Fonte: http://vestanspjor.blogspot.com
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Ironicamente, apesar desta estratificação entre reis, nobres, livres e escravos os nórdicos acreditavam verdadeiramente que eram todos iguais. Porém diferente das sociedades feudais eles não possuíam uma estrutura muito rígida, de forma que a mobilidade social era algo comum, podendo um fazendeiro se tornar nobre e um escravo comprar sua liberdade.
"Antes da época viking, o poder já se concentrava em volta de um punhado de famílias dinásticas que controlavam a riqueza de uma região. O dirigente local era também um chefe militar, chefe religioso, administrador e garantidor da paz dentro da área que controlava". (CLARKE apud VILAR, 2012). A ideia de reis vikings começou a se tornar mais frequente a partir da segunda metade do século X quando começaram a surgir alguns importantes reis na Noruega e Dinamarca embora se encontrem menções há reis nórdicos antes da Era Viking. Apesar de que cidades escandinavas já existissem desde pelo menos o século VI, foi durante a Era Viking que muitas destas cidades prosperaram e outras cresceram.
Através do comércio as pessoas começaram a migrar para essas cidades, passando a trabalhar como mercadores ou na manufatura, produzindo artigos tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo. Essas cidades se tornaram também centros econômicos e locais de fluxo de objetos, pessoas e informações, como exemplo Birka, um animado centro localizado na parte leste da Suécia, que era visitada por negociantes germânicos, frísios, francos e anglo-saxões, que trocavam objetos. Já em meados do século X os dinamarqueses suecos e noruegueses já estavam, com seu talento para as transações, ajudando a revitalizar o comércio europeu da abalada estrutura político da Europa Ocidental.
Por volta do ano 800, à aurora da Idade Viking os suecos, dinamarqueses e noruegueses tomaram rumos diferentes, determinados principalmente pelas aptidões de cada povo e pela situação geográfica de suas terras.
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Rotas Comerciais escandinavas
Fonte: http://thedockyards.com
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Suecos
Os suecos com grande característica comercial, devido a sua posição privilegiada da Suécia para o Mar Báltico, garantiu que a região vivencia-se uma forte influência das comunidades pré-vikings e vikings ao longo de séculos, além do fato de ser uma rota de comércio e contato com o oriente europeu. “vikings suecos" mantiveram rotas comerciais com os eslavos, os quais iam até o Mar Negro, tendo como principal ponto a cidade de Constantinopla, capital do Império Bizantino, além do fato que algumas expedições vikings chegaram a adentrar o Oriente Médio, e os produtos exóticos que traziam ao voltar a Escandinávia atraiam mercadores de muitas partes da Europa Ocidental, para leste no Báltico estabeleceram postos comerciais em Novgorod, Kiev entre outras cidades, onde estocavam mercadorias escandinavas, tais como peles de lontra, marta e castor, âmbar e marfim de morsa, assim como escravos, mel e peles de animais e trocavam por outras, esse movimento de idas e vindas do oriente comercializando, foi um grande ganho para economia europeia começar a caminhar depois de séculos de poucos avanços econômicos.
Dinamarqueses
Os dinamarqueses tiveram um grande impacto seja social, com suas terríveis invasões quanto econômica, pois de uma forma indireta, colocou mercadorias que antes estavam entesouradas em circulação de troca, como exemplo, os metais preciosos que se encontravam em posse da igreja, mas não somente por isso, percebendo a voracidade e impiedade destes povos, principados preferiam pagar taxas para não invasão, preferindo não se opor diretamente a estes povos “Como era aos seus súditos e, antes do mais, as suas igrejas que os príncipes deviam exigiras somas necessárias, estabeleceu-se finalmente um escoamento das economias ocidentais para as economias escandinavas” (BLOCH, 1982, P. 36). Sua posição geográfica favorecia os constantes ataques sobre os reinos fracos e ingleses. O povo mais adiantado e numeroso da Escandinávia era formado pelos dinamarqueses, cujo território abrangia a península que se projeta da região atualmente denominada Alemanha Estando menos isolados geograficamente da Europa civilizada.
Os vikings, pelo menos o que estavam sob o governo do rei Haroldo Dente Azul, o qual reinou na Dinamarca de 958 a 986, ordenou a construção de uma casa da moeda para cunhar suas próprias moedas de prata. No entanto, os vikings faziam bastante uso de moedas de outras nações. Os vestígios arqueológicos encontraram tesouros contendo moedas de origem franca, inglesa, germana, bizantina, árabe etc.
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| Moedas Fonte: desconhecido |
os comerciantes vikings costumavam não considerar o valor monetário delas propriamente, mas considerar seu peso em prata ou ouro. Para isso eles usavam balanças, então estipulavam o quanto tais mercadorias valeriam a peso de prata. Em alguns casos sabe-se que na ausência de moedas, era oferecidos lingotes ou pedaços de prata para se efetuar o negócio. (VILLAR, 2012)
Noruegueses
Noruegueses, grandes exploradores, legisladores e aventureiros na conquista, estes vikings se voltaram mais para região Oeste, colonizando ilhas despovoadas como as ilhas da Islândia, Feoré, Hébridas, Orcades além de ocupar metade da Irlanda e grandes áreas da Escócia e do nordeste da Inglaterra. Durante o século X estabeleceram bases na Groenlândia e por volta do ano 1000 alcançaram a costa da América do Norte.
Os noruegueses como grande legisladores, fundaram na Islândia uma republica regida por um órgão parlamentar, que foi intitulado de “ALTHING” uma espécie de órgão central, legislador como uma extensão de órgão locais, nele se era reunido uma vez por ano, com objetivos de aprovar lei, punir culpados de delitos e julgar disputas que não pudessem ser resolvidas localmente.
Apesar da fama de legisladores, o noruegueses foram impiedosos com os povos atacados por eles, sendo de se enfatizar os Celtas irlandeses, que sofreram por 200 anos ataques noruegueses, porem apesar de muitos mortos e escravizados por volta do ano 1000 conseguiram expulsar os vikings de seus territórios.
Ao resistir a grande fúria dos ataques vikings, dominar os magiares expulsar os piratas sarracenos, a Europa ainda concluía seus negócios com as ultimas levadas de assaltantes estrangeiros. Depois de resistir a toda adversidade enfrentada, tornara o continente mais forte politicamente e economicamente, os ataques vikings forçaram diversas parte da Europa de Carlos Magno formar sua própria forma de governo, a se desenvolver para enfrentar as adversidades trazidas pelos vikings.
Noruegueses, grandes exploradores, legisladores e aventureiros na conquista, estes vikings se voltaram mais para região Oeste, colonizando ilhas despovoadas como as ilhas da Islândia, Feoré, Hébridas, Orcades além de ocupar metade da Irlanda e grandes áreas da Escócia e do nordeste da Inglaterra. Durante o século X estabeleceram bases na Groenlândia e por volta do ano 1000 alcançaram a costa da América do Norte.
Os noruegueses como grande legisladores, fundaram na Islândia uma republica regida por um órgão parlamentar, que foi intitulado de “ALTHING” uma espécie de órgão central, legislador como uma extensão de órgão locais, nele se era reunido uma vez por ano, com objetivos de aprovar lei, punir culpados de delitos e julgar disputas que não pudessem ser resolvidas localmente.
Apesar da fama de legisladores, o noruegueses foram impiedosos com os povos atacados por eles, sendo de se enfatizar os Celtas irlandeses, que sofreram por 200 anos ataques noruegueses, porem apesar de muitos mortos e escravizados por volta do ano 1000 conseguiram expulsar os vikings de seus territórios.
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Comércio e expansão dos Vikings. Em Azul os suecos, em roxo os noruegueses e em vermelho os dinamarqueses.
Fonte: SIMONS, 1971, p. 127.
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Pontos positivos dos ataques vikings
Apesar dos grandes prejuízos causados pelos nórdicos na Europa, não só de pontos negativos tiveram aqui sua presença, lógico e inegável que causaram uma grande destruição e alto numero de mortes, sem falar no enorme numero de saques, entre outras questões que não abordaremos aqui, porem, vale ressaltar sobre a frágil economia Europeia, que estava passando por graves problemas, ate mesmo sobre o processo de entesouramento e escassez de produtos, os vikings como grandes comerciantes marítimos ocupavam um papel crucial nesse comercio, trazendo mercadorias do oriente e vendendo no ocidente, fazendo um elo de ligação entre os povos, além obviamente pela sua grandiosa contribuição para o ressurgimento das feiras de comercio
Porém tanto na França como na Inglaterra e na região que é conhecida atualmente como Países Baixos, os nórdicos fizeram uma revolução econômica construtiva. Toda a orla marítima da Europa Ocidental — a costa do mar Báltico e a do oceano Atlântico, desde a Noruega até a Espanha —- foi unida pelos navios vikings, passando a formar uma via comercial marítima que em breve seria mais importante para o Ocidente do que o Mediterrâneo. (SIMONS, 1971, Pag134).
Ao resistir a grande fúria dos ataques vikings, dominar os magiares expulsar os piratas sarracenos, a Europa ainda concluía seus negócios com as ultimas levadas de assaltantes estrangeiros. Depois de resistir a toda adversidade enfrentada, tornara o continente mais forte politicamente e economicamente, os ataques vikings forçaram diversas parte da Europa de Carlos Magno formar sua própria forma de governo, a se desenvolver para enfrentar as adversidades trazidas pelos vikings.
Bibliografia
AMORIM JR,
Elias Feitosa de. Vikings: Guerreiros e
Desbravadores. In Almanaque da História Antiga. Ano I, nº1 (201-).
SIMONS, Gerald. Os corsários Vikings. In Os Bárbaros na Europa. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1971 (p. 125 – 145).
SIMONS, Gerald. Os corsários Vikings. In Os Bárbaros na Europa. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1971 (p. 125 – 145).






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