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Entre a Renovação e os Fardos da Idade Média

Letícia Peixoto
Graduando em Licenciatura - História, 3º Período
Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)
Unidade Divinópolis
Julho/2018



São francisco nasce em um contexto de mudanças, de adaptações e de conflitos tanto na sociedade quanto na Igreja. Durante o final do século XII e o século XIII a Europa Medieval passa por uma grande desenvolvimento ligado ao crescimento demográfico e econômico.

Além disso, também temos as imigrações, e o movimento de urbanização dando protagonismo a cidade e as figuras leigas.  O processo de Incastellamento, isto é, aglomerados que se fazem em volta do castelo, de igrejas se tornando aldeias aumenta significativamente e este processo. Podemos citar nesse processo de mudanças a retomada do comércio, a movimentação monetária que se fará bastante importante até para a transição do feudalismo para o capitalismo e a criação dos cambistas.

Os cambistas, criados pelos mercadores, eram especialistas em moedas, estes, mais tarde, se tornariam os banqueiros e, nessa função de emprestar moedas acabam substituindo os mosteiros que  possuíam esta função a priori.

Sendo a cidade o principal modelo de moeda e de trabalho, o processo de empréstimo também passa pela mão judaica que, por não poder participar da sociedade ativamente se tornam confinados a este recurso, estando na condição de usurários. Assim sendo a cidade é o centro econômico e de poder neste período, podendo ser ou não ligada ao tradicionalismo eclesiástico.

“Diante dessa sociedade nova, e nessa sociedade nova, que fazem a Igreja e o mundo eclesiástico? (LE GOFF, p. 26). A igreja começa-se a se transformar com as reformas gregorianas. Seu principal objetivo estava ligado a volta às origens e a realização da verdadeira vida apostólica.

Surge, neste período, a manifestação dos laici religiosae, ou seja, leigos religiosos, que exigiam o acesso direto a escritura, o direito de pregação entre outras coisas. E, inclusive é bom lembrar que São francisco acaba sendo uma manifestação deste movimento já que este não era de nenhuma hierarquia religiosa.

VOCABULÁRIO

O vocabulário de São francisco é um vocabulário de ação, que busca acima de tudo transformar a sociedade ao invés de apenas descrevê-la.

As palavras, o vocabulário de pessoas letradas estão muito distanciadas da realidade social, enquanto São Francisco nada contra a correnteza, mostrando não apenas a relação de seu vocabulário com a realidade social como também destinada a todos as criaturas.

Nesse aspecto a visão de Francisco sobre a sociedade é que ela é tripartida, ou que são três: Sociedade terrestre -a cristã – a sociedade celeste – dos céus – e a particular – formada pela ordem que criara com seus “irmãos”-.  Ainda dentro da sociedade terrestre a visão da sociedade tripartida; Os que oram, os que trabalham e os que guerreiam.  (oratores, laboratores e bellatores). Este último é pouco considerado por Francisco, principalmente para si mesmo e para a ordem.

Dessa forma, apesar que em sua juventude tenha sentido muito apreço a arte da guerra, após sua conversão se distancia muito da ideia de “soldados de cristo”. E tem enorme apreço pela pobreza denominando-a Domina Paupertas (Senhora pobreza), fazendo desta seu valor espiritual supremo.

Mais um três nessa história é a concepção dos males para São Francisco, sendo estes  a ciência (sabedoria), o poder e a riqueza.Sua relação ruim com a ciência é porque acreditava que esta era uma forma de posse, de propriedade, e os doutos como uma especie de poderosos terríveis.

Sendo o mal social por excelência o poder. Assim, aconselhava a fuga da ascensão social que para ele é o grande pecado social, e fugir das tentações do dinheiro. Buscava assim, o que ele denomina como Nivelamento, isto é, o máximo de igualdade no nível mais humilde, na medida do necessário (“Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais” - Mogli o menino lobo nesse sentido é quase um filme franciscano).

Abaixo apenas uma demostração através da tabela do uso do vocabulário, nosso e o de São francisco:


NOSSO VOCABULÁRIO
VOCABULÁRIO DE FRANCISCO
DEUS
Dominus; rex (Senhor, Rei); Rex coeli et terrae (Rei do céu e da terrae). Pater (Pai)
Jesus Cristo
Dominus noster (Nosso Senhor).
 Virgem Maria
Domina et Regina (Senhora; Rainha); santa, pobre, doce e bela – modelo das criaturas -
Otão IV
Único a ser mencionado como imperador da sociedade terrestre.
Satã
Diabolus ou Satanas. Os biografos recorrem ao tradicional inimigo antigo; serpente antiga; Não o chama de principe das trevas para evitar o maniqueísmo.
Demônios
Gastaldi –  Agente real - concepção pessimista do poder e dos agentes de repressão -
Francisco de Assis (A si mesmo)
Servus (servo); minister (servidor); rusticus (camponês e iletrado)

Referência Bibliográfica:

LE GOFF, Jacques. São Francisco de Assis. Tradução de Marcos de Castro. 10ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2011.
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